Vale lembrar que o que vou dizer aqui está relacionado ao meu ponto de vista diante do meu conhecimento e da minha experiência profissional.
Primeiramente não vejo problemas de crianças e adolescentes serem vegetarianos, desde que isso seja feito da forma correta. Muitos pais relacionam o vegetarianismo a falta de nutrientes. Hoje em dia o que mais encontramos dentro dos consultórios são crianças que se alimentam mal (comendo só bolachas, biscoitos, alimentos refinados, açucarados, refrigerantes, doces, etc) que apesar de estarem dentro do peso (e muitas vezes acima) encontram-se deficientes de vitaminas e minerais quando analisamos os exames laboratoriais.Não é o vegetarianismo que causa deficiências nutricionais e sim qual a qualidade dos alimentos que se está consumindo.
A melhor coisa é começar a pensar e conversar com seu filho sobre o porque ele não quer mais comer carnes. Sem stress, pra entender o que se passa. Ele pode estar com o paladar não receptivo para esse tipo de alimento, ou pode ser por estar começando a pensar em conceitos e filosofias de vida que excluem o sacrifício de animais. Essa "onda" de ser vegetariano pode ser passageira ou pode realmente se firmar como uma escolha alimentar e quanto a isso não temos nada o que fazer além de ajudar da melhor forma.
Brigar e forçar a criança ou o adolescente a comer determinado alimento (e isso se encaixa também com os legumes e verduras) não vai ajudar em nada a resolver e melhorar a questão, pelo contrário, só vai trazer experiências mais estressantes e conflitantes para esse momento que deveria ser prazeroso.
Entenda o que e porque está se passando com seu filho. Você mostrar empatia pela situação vai gerar uma maior confiança em você e dessa forma você poderá ajudá-lo com a situação.
Depois dessa primeira fase é recomendado procurar profissionais para ajudar vocês. O pediatra acompanhará o crescimento e desenvolvimento (para verificar se está tudo acontecendo de forma tranquila e sem comprometimentos) e também solicitará exames periódicos para acompanhar possíveis carências de nutrientes que podem aparecer com o tempo.
Como nutricionista eu procuro sempre conversar, explicando como proceder com a alimentação para não causar comprometimento de desenvolvimento para o corpo, ofertando assim os nutrientes importantes.Incluo possíveis substitutos para os alimentos recusados e introduzo novos que devem ser consumidos (essa é a parte mais difícil as vezes). A criança ou o adolescente precisa ter noção de que abrir mão de alguma coisa fará com que ele tenha que consumir outras "obrigatoriamente" (como uma maior variedade de legumes e verduras) e de forma muito mais frequente.
Se a filosofia vegana estiver realmente forte e consistente, não encontraremos problemas com as mudanças alimentares. Agora se for algo passageiro garanto que em 3 ou 4 meses o consumo de carnes voltará ao que era anteriormente.
É sempre importante também que os pais saibam que eles devem entender e cooperar com as novas escolhas, preparando alimentos que os filhos possam comer, sem "sabotar" os novos hábitos. Porém a rotina alimentar da casa não deve ser mudada somente por causa de um indivíduo. O que eu quero dizer é que se normalmente no almoço vocês costumam preparar um tipo de carne, legumes, verduras, arroz e feijão, você até pode preparar uma carne de soja para ajudar. Mas não deve fazer com que todo o cardápio da casa mude só porque a criança não quer comer legumes e verduras. Preparar 2 tipos de misturas, ou só alimentos que eles preferem.
Quando alguém opta em ser vegetariano, ou em fazer qualquer tipo de restrição alimentar por qualquer motivo que seja, ele deve adaptar o seu estilo de vida a rotina que o cerca e não o contrário (a menos que ele tenha autonomia para ajudar no preparo ou aquisição de novos produtos). Se todas as vontades da criança ou adolescente forem feitas para adequar as suas escolhas, ele vai sempre se sentir o "centro das atenções" e no direito de fazer exigências que devem ser atendidas.
Portanto, quando feito de forma correta e com acompanhamento profissional adequado, a exclusão da carne (ou de qualquer outro tipo de alimento) da alimentação das crianças e adolescentes não vai interferir de forma negativa para seu crescimento e desenvolvimento.
Até a próxima!
Beijos!
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